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O amor é doce, mas fica melhor com pão.
Quanto ficava assim, parecia que todas as palavras do mundo já tinham sido pensadas nesse tempo e foram poucas. As palavras são poucas quando se quer ser sucinto no expressar de sentimentos. Agulha no palheiro. O óbvio pede sempre muito tempo para se realizar em poesia. Se ele pudesse, inventaria palavras com significados mais pesados, com mais ímpeto e vigor. Palavras que aumentassem os sentidos, outras que os tirassem e aquelas que os modificassem para sempre, a favor de uma melodia mais bonita. Queria todas as palavras do mundo dominadas, ali, ao seu dispor, para quantos versos bem quisesse.
Hoje a vida era boa, pois essa trama toda até aqui se deu a favor dela. É que tudo concorria pra mudar a trajetória de Tia Amélia para sempre, vida agora de arrependimento e de um tantão de alegria. Ai, Ernesto! Quantas pragas rogadas em vão! Lágrimas à toa. Daí em diante foi ser esse sorriso assim, carregado de choro e de uma boa vontade de morrer, para quem sabe conseguir ficar perto dele e começar tudo de novo, mesmo que fosse só assim, na base das almas mesmo. Seria bem melhor tirar a danação do corpo pra serem apenas pingos de luz na imensidão.
Agora era esquecer a vida que até ali não lhe dera descanso.

Desde que o samba é samba

Fizemos do corpo a coisa mais bela que se tem na vida, pois ele é a sua única razão de ser. Então espalmem a mão e recebam a minha pele quente, estiquem a língua para lamber o meu suor-purpurina, abram os braços, as pernas para o nosso calor se fundir ao seu, já que o amor da criação artística não é somar, dar ou repartir. É doar.