Horas passadas a observar a beleza dos estranhos
a beleza
das coisas que parecem melhor aos olhos do que as que tem
de vidas que gostava de experimentar
em universos paralelos que só existem em sonhos
com pormenores bizarros
que não pode sequer tentar colocar no corpo
cabelo colorido, muitos furos pela cara toda, anéis e unhas compridas
todas aquelas coisas que fazem dos estranhos fascinantes
simplesmente por não serem nós
e tudo o que nos ultrapassa, é sem dúvida
mais maravilhoso do que qualquer coisa
que já tenhamos imaginado. O que os outros têm
por não ser nosso, é brilhante como lâmpadas novas
mesmo que seja triste e que nos escapem as suas circunstâncias
mesmo que sejamos o brilho de outra pessoa qualquer
dificilmente somos o nosso próprio
por não nos vermos naquelas fotografias aos olhos de outra pessoa
por não sermos a nossa mãe e a nossa avó, que reconhecem em nós todas as qualidades e virtudes de um santo e de um príncipe
por sermos nós próprios. é redundante e verdadeiro. por não nos vermos com outros olhos
nunca nos podemos ver
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As pessoas das pessoas de quem gostamos
Há alguma coisa de fascinante com as pessoas que se dão com as pessoas de quem gostamos.
São pessoas perfeitamente normais, sou capaz de reconhecer isso, mas fazem parte de um mundo paralelo e desconhecido que é o dele. Ou dela. Isso não lhes tira magia, mas acrescenta-lhes. Podem ter o prazer de presenciar na primeira pessoa detalhes do dia-a-dia aos quais não temos acesso, como o sentar na sala de aula, abrir a mochila e pegar na caneta para começar a escrever. Estes contextos tão comuns e diários levantam-me imensas perguntas pequeninas mas sentidas, como é que ele pegará na caneta? As pessoas com quem ele passa o dia sabem. E o mais fascinante é que elas nem se apercebem do seu poder, do ciúme tonto e inexplicável que provocam pura e simplesmente por usufruírem de um prazer desconhecido, inconsciente. Partilham este dom com as outras pessoas, de uma categoria completamente diferente, aquelas pessoas que desconhecem os seus próprios dons e que por isso mesmo os põem em prática tão bem ou melhor do que se o reconhecessem, aquelas pessoas que sem saberem nos fascinam. Pegar-lhe nos olhos, fingir-me de estranha, sentar-me na carteira ao lado da dele e observar aqueles detalhes só possíveis de ser vistos quando ele não sabe que está a ser observado, arranjar uma espia que me filme todos os movimentos, é impossível e ainda mais maravilhoso. Morro de curiosidade. Das amigas, da senhora do bar, do homem que lhe passa multas de trânsito ou lhe vende o jornal todas as manhãs, dos olhos dessas pessoas que têm o prazer de assistir a pura magia, aos pequenos pormenores das pessoas de quem gostamos. Não sabem quem é, a quem pertence, toda a gente faz parte da vida de alguém. Mas a pessoa de quem gostamos, essa tem uma espécie de auréola que carrega todo o dia, desde que acorda até que volta a acordar outra vez, sem interrupção, um cartaz invisível que grita, este é o meu amor, vejam como ele anda, como assobia e como os olhos dele deambulam no metro, até do metro tenho ciúme, daquela cadeira usada e pouco macia que lhe serve de apoio, quem me dera ser essa cadeira e ler-lhe os pensamentos. Este fascínio ultrapassa em muito as pessoas das pessoas de quem gostamos: os objectos também são vítimas, mas em menor escala. São as coisas dele, as coisas que comprou por algum motivo ou por nada de especial, a decoração do quarto que ri de mim e goza com a minha pequena obsessão pelo detalhe, os objectos têm noção a quem pertencem e orgulham-se desse estatuto, intocáveis. As pessoas não, e isso torna-as ainda mais fascinantes. Têm um privilégio enorme que desconhecem, as estúpidas! Só lhes peço que não acordem e não se apercebam da minha mania, será que toda a gente sabe do privilégio que é assistir a pormenores que completam muito para além do amor? Estes pormenores inacessíveis são verdadeira intimidade. Quando ele trouxer a caneta, a mochila e a senhora do bar para casa, eu vou saber que o conheço de verdade. Até lá, invejo e rogo pragas a todos os que podem assistir e que não sabem o que vêem.
São pessoas perfeitamente normais, sou capaz de reconhecer isso, mas fazem parte de um mundo paralelo e desconhecido que é o dele. Ou dela. Isso não lhes tira magia, mas acrescenta-lhes. Podem ter o prazer de presenciar na primeira pessoa detalhes do dia-a-dia aos quais não temos acesso, como o sentar na sala de aula, abrir a mochila e pegar na caneta para começar a escrever. Estes contextos tão comuns e diários levantam-me imensas perguntas pequeninas mas sentidas, como é que ele pegará na caneta? As pessoas com quem ele passa o dia sabem. E o mais fascinante é que elas nem se apercebem do seu poder, do ciúme tonto e inexplicável que provocam pura e simplesmente por usufruírem de um prazer desconhecido, inconsciente. Partilham este dom com as outras pessoas, de uma categoria completamente diferente, aquelas pessoas que desconhecem os seus próprios dons e que por isso mesmo os põem em prática tão bem ou melhor do que se o reconhecessem, aquelas pessoas que sem saberem nos fascinam. Pegar-lhe nos olhos, fingir-me de estranha, sentar-me na carteira ao lado da dele e observar aqueles detalhes só possíveis de ser vistos quando ele não sabe que está a ser observado, arranjar uma espia que me filme todos os movimentos, é impossível e ainda mais maravilhoso. Morro de curiosidade. Das amigas, da senhora do bar, do homem que lhe passa multas de trânsito ou lhe vende o jornal todas as manhãs, dos olhos dessas pessoas que têm o prazer de assistir a pura magia, aos pequenos pormenores das pessoas de quem gostamos. Não sabem quem é, a quem pertence, toda a gente faz parte da vida de alguém. Mas a pessoa de quem gostamos, essa tem uma espécie de auréola que carrega todo o dia, desde que acorda até que volta a acordar outra vez, sem interrupção, um cartaz invisível que grita, este é o meu amor, vejam como ele anda, como assobia e como os olhos dele deambulam no metro, até do metro tenho ciúme, daquela cadeira usada e pouco macia que lhe serve de apoio, quem me dera ser essa cadeira e ler-lhe os pensamentos. Este fascínio ultrapassa em muito as pessoas das pessoas de quem gostamos: os objectos também são vítimas, mas em menor escala. São as coisas dele, as coisas que comprou por algum motivo ou por nada de especial, a decoração do quarto que ri de mim e goza com a minha pequena obsessão pelo detalhe, os objectos têm noção a quem pertencem e orgulham-se desse estatuto, intocáveis. As pessoas não, e isso torna-as ainda mais fascinantes. Têm um privilégio enorme que desconhecem, as estúpidas! Só lhes peço que não acordem e não se apercebam da minha mania, será que toda a gente sabe do privilégio que é assistir a pormenores que completam muito para além do amor? Estes pormenores inacessíveis são verdadeira intimidade. Quando ele trouxer a caneta, a mochila e a senhora do bar para casa, eu vou saber que o conheço de verdade. Até lá, invejo e rogo pragas a todos os que podem assistir e que não sabem o que vêem.
Ela continua com aquele medo desesperante, de não saber de quê, de ter medo de saber de mais, de saber de menos, nunca estava bem com nenhum estado, de ter medo do próprio medo. Tantos sentimentos para se referirem a uma única palavra, porquê, ou pior, para quê? Para se acabar onde se começou? Para se começar e não saber onde se vai acabar, que pânico, que medo gigante e assombroso, nada lhe agradaria mais do que ver o seu futuro por escrito, quer dominar toda a sua obra mas gostava de sentir o conforto de reconhecer que algumas coisas são eternas, quando na verdade nada o é. Nem o cabelo, nem as unhas, nem os olhos. Outra vez o medo do fim, agora sim reconhece, tudo acaba, mas quando? Outra vez as perguntas, o ciclo vicioso de reflexão, tudo querer e nada conseguir, ou será antes o contrário? Enfim.
Palavras são palavras,
digo eu.
Palavras são palavras,
digo eu.
We are spooning and I am trying very, very, hard to stay still. It's the first time our bodies have been against each other. The electricity could light whole cities. My body feels like jumping up and down, or think of Charlie. "I've got a golden ticket. I'VE GOT A GOLDEN TICKET." Breathing is complicated, like algebra 2, or why we do the things we do. Only 30 seconds have gone by, this is worse than holding breathe under water. I want to say so many things and no thing. I feel everything.
Dialogue between the sun and the moon
I am all absent femininity, left behind on ancient shores, says the night.
Night opens its immense ass, where the forgotten day will bury itself.
THE SUN: the day.
THE MOON: the night, devouress...
THE SUN: a day passes...
THE MOON: night dwells.
Night opens its immense ass, where the forgotten day will bury itself.
THE SUN: the day.
THE MOON: the night, devouress...
THE SUN: a day passes...
THE MOON: night dwells.
Ai homem
"Sometimes I get a little sad, and I feel like being alone. Then I talk to my cat about it, and he reminds me I'm James Franco. Then we dance."
My grades need to be higher.
My weight needs to be lower.
My stomach needs to be flatter.
My wallet needs to be fatter.
My skin needs to be tanner.
My teeth need to be whiter.
My heart needs to be stronger.
My friends need to be uglier.
My face needs to be prettier.
My hair needs to be longer.
My skirt needs to be shorter.
My body needs to be hotter.
My image needs to be cooler.
My boobs need to be bigger.
My waist needs to be smaller.
Society really knows how to make you feel like shit.
My weight needs to be lower.
My stomach needs to be flatter.
My wallet needs to be fatter.
My skin needs to be tanner.
My teeth need to be whiter.
My heart needs to be stronger.
My friends need to be uglier.
My face needs to be prettier.
My hair needs to be longer.
My skirt needs to be shorter.
My body needs to be hotter.
My image needs to be cooler.
My boobs need to be bigger.
My waist needs to be smaller.
Society really knows how to make you feel like shit.
Coincidência e destino
"Well, look who I ran into", crowed Coincidence.
"Please", flirted Fate, "this was meant to be".
A minha conclusão é que não vamos propriamente para lado nenhum. Quando tudo o que tomamos por garantido nos assombra, as situações encarregam-se de nos lembrar de que não somos videntes e que muito menos podemos assegurar-nos um futuro. Ver para nós uma vida, qualquer espécie dela. Encontro-me actualmente muito mais contraditória do que alguma vez me lembro ter sido. A verdade é que se nada vejo, muito menos nada prevejo. Já não sei o que dizer. Simplesmente palavras.
Viajo através dos filmes, esta noite sonho com uma paisagem indiana e com uns quantos elefantes que me levem para longe daqui, para o país onde as vacas são sagradas e os meninos andam descalços com medo de gastar os sapatos. Alguém que me leve à Índia, ao Japão ou ao Congo ou pelo menos mostrem-me filmes, fotografias e uma barata frita para ir criando algum gosto à língua, planeio alimentar-me exclusivamente de bichos fritos e estaladiços quando lá chegar.
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