the love i´m searching for

Ia andando em direcção às nuvens. Com a cabeça à roda, com sentimentos de tristeza e angústia que não sabia de onde vinham. Ai que ela não queria descer à Terra nem meter os pés no chão, Ai dela que queria tocar naquilo que via e achava tão longe, tão difícil de tocar! Queria sentir aquela textura na boca, desfazer-se na língua e sentir o sabor, as cores das nuvens. Saber se era como o algodão doce. Por isso, recusava-se a descer enquanto não tivesse um pedaçinho na mão. Sentia muito esta necessidade, ter as coisas na mão, fechá-la e senti-las seguras. Mas como podia saber? A nuvem podia desaparecer, pegar-se à pele e não sair mais. Disto ela não gostava, de ter alguém tão junto que se sentia presa. Se isto acontecesse, aquele bocado de nuvem faria parte dela, tão física e real como o sangue e os nervos. Qual seria a sensação? Molhado, quente, fofo? Como podia saber? Era a primeira vez que sentia aquele desejo tão grande de tocar na nuvem e tão pequenino de meter os pés no chão.
De repente, começou a trovejar. Trovões de medo, de escuro, piores do que toda a tristeza e angústia que ela, sem saber porquê, sentia.
Não podia tocar na nuvem, os trovões tinham formado uma espécie de barreira, tão negra que cegava todos os olhos que tinha lá dentro.
Que triste querer e não poder. Mais triste ainda é poder e não querer.